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20 de Outubro de 2020

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Edição: Hugo Julião
19:15
10/09/2020

“Black Mirror” da vida real: brasileiro funda startup para recriar pessoas mortas

Em 2013, a série britânica “Black Mirror” lançava sua segunda temporada.

No primeiro episódio, uma viúva desolada experimentava um novo serviço que permitia “contato com os mortos”, ou melhor, com uma versão virtual de seu falecido marido.

Essa aproximação começava com mensagens de texto, já que o sistema era alimentado por uma base de dados com informações comportamentais das interações online entre os dois enquanto ele ainda era vivo.

Mas, depois de um tempo, graças a vídeos e fotos, o serviço foi capaz de reproduzir a voz e, assim, permitir que a viúva “conversasse com ele” por telefone.

A evolução desse processo foi a criação de um androide, à imagem e semelhança do falecido, que interagia pessoalmente com a inconsolável mulher.

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O episódio “Be Right Back”, da 2ª temporada de Black Mirror, mostra uma tecnologia capaz de criar uma versão virtual da pessoa falecida

Agora, sete anos depois, um pesquisador brasileiro acha que chegou o momento de colocar em prática o serviço previsto por uma das séries de ficção mais comentadas de todos os tempo.

“Se eu falasse sobre a minha ideia três anos atrás, não teríamos tecnologia suficiente”, diz Deibson Silva, pesquisador e neuropsicólogo formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

No início do ano, porém, Silva conversou com o especialista em inteligência artificial e chefe do departamento de ciência e tecnologia da Universidade de Berkeley, Alberto Todeschini.

Eles falaram sobre a ideia de um aplicativo capaz de recriar uma pessoa na nuvem para que, após a morte, ela pudesse conversar com seus entes queridos. E a recepção do especialista foi surpreendente.

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Deibson é especialista em Neuropsicologia pela USP e CEO do CIS Assessment, software de mapeamento e análise de perfil comportamental

Em pleno Vale do Silício, o brasileiro começou, então, a desenvolver a startup Legathum. “O intuito do projeto é mapear a personalidade humana e transferir tudo isso para uma inteligência artificial.” 

Ele explica que esse processo será feito por meio de um bot, que servirá como um mentor de vida, pedindo para que o usuário conte suas histórias e lembranças.

“O sistema vai levar, no mínimo, seis meses para mapear todo o histórico de uma pessoa adulta, da infância aos dias atuais. E não vai mais parar, ou seja, será um processo contínuo até o último dia de vida.”

Silva diz que o objetivo é ter informações variadas: do cotidiano, momentos marcantes, memórias e conhecimentos.

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É a partir dessa análise completa desses dados e da personalidade da pessoa que a ferramenta vai conseguir chegar no objetivo final: promover conversas por chamada de vídeo.

“Só vamos alcançar esse resultado daqui, mais ou menos, três ou quatro anos.” Isso porque é preciso recriar a voz, a imagem e a tomada de decisões da pessoa falecida para que ela possa conversar e dar conselhos para seus familiares e amigos de forma fiel.

“Eu perdi minha avó, que foi como uma mãe para mim, quando tinha apenas 18 anos. Ela ainda tinha muita coisa para me ensinar sobre a vida. Tive que tomar muitas decisões sozinho, então, por que não consultar uma inteligência artificial com a mesma mentalidade daquela pessoa que se foi?”, pergunta.

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Alberto Todeschini, especialista em inteligência artificial e chefe do departamento de ciência e tecnologia da Universidade de Berkeley

Empolgado, Silva acredita que todas essas ferramentas possibilitam a criação de um legado, por isso o nome da startup – “Legathum”.

Essa palavra está tão ligada à essência do projeto que o pesquisador conta ter se surpreendido ao encontrar uma música que transmite exatamente o seu pensamento.

Silva espera que, com o seu projeto, possa fazer ressoar para sempre as vozes dos que se vão.

E que, assim, a morte ocorra apenas uma vez, como uma passagem que deixa rastros valiosos e duradouros.

“Essa é a música da Legathum. Como se fosse nossa trilha sonora oficial.”

Fonte: Forbes

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