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11 de Dezembro de 2017

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Blog da Editora Record
06:44
24/11/2017

“As entrevistas de Putin”, de Oliver Stone, chega às livrarias

Num período de dois anos, o cineasta Oliver Stone viajou à Rússia quatro vezes para uma série de encontros com o presidente Vladimir Putin, um dos líderes mais controversos, poderosos e inacessíveis do mundo contemporâneo

 

Por: Thais Britto

Nas conversas, os dois falaram da infância do presidente; a história e os principais líderes do país, como Stalin e Lenin; seu trabalho como agente da KGB; sua relação complexa com os quatro presidentes que passaram pela Casa Branca durante seu longo período de governo; o fim da União Soviética e o conflito russo com as ex-repúblicas, como a Ucrânia e a Crimeia; a economia e questões de direitos humanos; as guerras do Iraque e, mais recentemente, da Síria, entre outras; e, no último encontro, as guerras cibernéticas e a denúncia de que a Rússia teria influenciado a eleição de Donald Trump com a ação de hackers. As vinte horas de gravação resultaram num documentário de quatro horas, “As entrevistas de Putin”, que virou também livro homônimo, lançado este mês no Brasil.

 

“Nos encontramos pela primeira vez em junho de 2015, depois 6 meses depois, em dezembro de 2015, e 6 meses depois, em junho de 2016. Pensamos que os três conjuntos diferentes de entrevistas seriam suficientes para formar a base do documentário, mas o resultado surpreendente das eleições americanas de novembro de 2016 nos levou a voltar uma quarta vez, em fevereiro de 2017”, conta Stone, para quem o presidente russo negou interferência no pleito americano. “Não é a Rússia que está hackeando as eleições. Essa é a fantasia americana. É a própria América que está hackeando as eleições de outros países, como já tentou fazer sem sucesso na Rússia em 2012 e, como fez com sucesso, em 1996, quando seu “aliado” Boris Yeltsin foi reeleito apesar de sua impopularidade nas pesquisas”, disse o cineasta, em entrevista à imprensa brasileira.

 

Num clima ameno, em encontros que se deram ora em gabinetes ora em uma partida de pingue-pongue ou em meio a uma sessão de cinema, Oliver Stone conversou com o presidente russo sobre assuntos do cotidiano, como a sua relação com as filhas, genros e netos, mas também o questionou sobre temas controversos, como o preconceito contra a comunidade LGBT na Rússia.

Tentou também conseguir declarações sobre ações internacionais dos Estados Unidos, como a invasão ao Iraque em 1991, mas o presidente se esquivou: “Sei que você é bastante crítico do governo norte-americano em muitas dimensões. Nem sempre compartilho do seu ponto de vista”.

Stone, em outro encontro, chegou a se justificar, dizendo que ama os Estados Unidos, mas é crítico em relação à intervenção externa do governo em outros países e apenas quer a paz mundial. Bem-humorado, o russo rebate:

 

“Você é um homem da paz. É fácil pra você. Eu sou pró-Rússia. É mais difícil pra mim.”

 

Além da transcrição completa do documentário, o livro traz também farto conteúdo extra de checagem dos dados apresentados pelos interlocutores e um prefácio escrito pelo jornalista Robert Scheer. "As entrevistas de Putin" chega às livrarias em novembro, pela editora BestSeller.

Leia aqui o prefácio escrito pelo jornalista Roberto Scheer.