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19 de Novembro de 2018

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Blog da Editora Record
15:45
05/11/2018

Graciliano Ramos: 80 anos de Vidas Secas

Depois de passar dois anos preso devido à sua militância política, o escritor Graciliano Ramos morou dois anos no Rio de Janeiro. Longe da família e precisando se reestruturar financeiramente, o jovem autor escreve um conto sobre a morte de uma cachorra chamada Baleia.

O sucesso é tão grande que ele resolve transformar aquele excerto inicial num romance, que trata sobre retirantes, condição que ele próprio experimentou naquele momento, tendo que se dividir entre a casa de dois amigos que já moravam no Rio – José Lins do Rego e Rubem Braga.

É neste momento atribulado da vida que o escritor alagoano escreve sua obra prima, que quase se chamou "O mundo coberto de penas". Somente na etapa da revisão, quando o livro já estava pronto para rodar, que Graciliano risca a folha de rosto original e escreve com sua grafia elegante "Vidas secas".

Uma versão fac-símile desta rara folha de rosto é reproduzida na edição comemorativa pelos 80 anos deste romance icônico. São detalhes como este que fazem deste lançamento um artigo de colecionador.

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Graciliano Ramos integra o time de clássicos do Grupo Editorial Record desde 1975.

Esta obra-prima da literatura brasileira se tornou o livro mais vendido da editora com pouco mais de 1,8 milhões de cópias, alcançando a marca de 138 edições.

A abertura de cada capítulo desta edição especial de "Vidas secas" traz ilustrações inspiradas em desenhos de uma versão em inglês do livro de Graciliano Ramos publicada na década de 1940.

Este novo projeto editorial e gráfico, assinado pelo designer Leonardo Iaccarino, teve como ponto de partida uma minuciosa pesquisa no fundo Graciliano Ramos, sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros, da USP, realizada por Lívia Vianna.

A encadernação imitando a de livros antigos reserva ainda outras duas preciosidades: a reprodução do manuscrito original do conto "Baleia", rasurado e anotado por seu autor. 

O prefácio do livro é assinado pelo professor Benjamin Abdala Júnior, da USP, participante de um grupo de estudos dedicados à obra do autor. O posfácio é de Hermenegildo Bastos.