21 de Abril de 2021

Ciência & Tecnologia

Edição: Hugo Julião
19:51
02/04/2021

De indústria militar ao entretenimento, hologramas vão fazer parte do cotidiano

Foi lá em 1971 que Dennis Gabor ganhou o Nobel por seus hologramas.

Originalmente, o termo se referia, a grosso modo, a uma foto em 3D, explica Emiliano R. Martins, professor do departamento de Engenharia Elétrica e Computação da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP).

"Hoje, damos o nome de holograma a qualquer sistema que dê a impressão de projeção em três dimensões", completa.

Hologramas, futuro do trabalho, tecnologia (Foto: Getty)

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Esses sistemas tendem a ganhar popularidade, com aplicações diversas.

Um purista poderia dizer que as HoloLens, óculos de realidade mista da Microsoft, não trabalham exatamente com hologramas, mas, na prática, eles apresentam um novo universo em 3D para seus usuários.

 Microsoft HoloLens (Divulgação)

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O device da Microsoft, aliás, será fabricado em modelos especiais para o exército dos Estados Unidos.

O treinamento militar é um dos usos esperados para os hologramas, já que, com eles, combatentes podem treinar em terrenos longínquos sem sair de sua base.


Outra aplicação é a já testada no entretenimento -- como o holograma do rapper Tupac que se apresentou no Coachella ainda em 2012.

Um dos mais respeitados rappers de todos os tempos, Tupac Shakur foi assassinado em 1996, quando tinha apenas 25 anos.

16 anos depois de sua morte, ele voltou a subir aos palcos, graças às tecnologias de projeção holográfica

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Estudantes de medicina também podem treinar cirurgias de maneira realista usando esse tipo de recurso.

"É muito provável que, no futuro próximo, seja um robô quem faça a cirurgia de fato", diz Martins.

"As técnicas de holograma vão dar visão de profundidade para o médico que o controla remotamente".

Isso sem falar nas facilidades para profissionais de design, arquitetura e engenharia.

Com modelos holográficos, eles podem visitar obras sem sair de casa e ter a mesma dimensão de seu andamento.

Em tempos de home office, essa tecnologia também transformaria as reuniões online em uma experiência tridimensional.

O SLS Las Vegas Hotel & Casino, em Las Vegas, possui teto com holograma 3D.

Veja no Center Bar do hotel uma impressionante luminária de LED pendurada no alto, realçando a localização privilegiada do bar, tanto para os hóspedes do hotel quanto para os visitantes

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Se a tecnologia é antiga e já vislumbramos como usá-la, o que falta para a popularização?

"O holograma ainda não é uma técnica que a gente entende que é adaptável ao que tecnologias modernas requerem, coisas de baixo custos e pequenas", diz Martins. 

De fato, um par de HoloLens chega a US$ 3 500 (quase R$ 20 mil).

 


O desafio adicional é o conforto do usuário, lembra Martins.

 "A interface ainda é um perigo, mas os dispositivos estão ficando mais leves numa velocidade muito rápida", afirma.

Uma esperança nesse sentido é uma experiência do MIT (Massachusetts Institute of Technology), anunciada em março: usando um método de deep learning.

Pesquisadores produziram hologramas em tempo real, a partir de laptops ou smartphones.

Isso representaria um adeus aos óculos de realidade aumentada, que trazem náuseas e dores para alguns usuários.

Com informações de Época Negócios

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