07 de Março de 2021

Saúde

Edição: Hugo Julião
11:17
15/01/2021

A estratégia do país que decidiu vacinar os jovens antes dos idosos

A Indonésia lançou um programa de vacinação em massa gratuito contra a covid-19.

A tentativa é de impedir a propagação do vírus e fazer sua economia voltar a se aquecer.

Para isso, o país está adotando uma abordagem diferente dos demais.

Em vez de vacinar os idosos na primeira fase, depois dos trabalhadores da linha de frente, ela terá como alvo os trabalhadores mais jovens com idade entre 18 e 59 anos.

A Indonésia vai usar a CoronaVac, a mesma que o Instituto Butantan fornecerá para parte da população brasileira. 

O presidente Joko Widodo, 59, foi a primeira pessoa no país a receber a vacina na quarta-feira. O vice-presidente Ma'ruf Amin, de 77 anos, não receberá a vacina ainda porque está fora do grupo prioritário (Reuters)

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O professor Amin Soebandrio, que faz parte de um conselho que assessorou o governo em sua estratégia de "juventude primeiro", argumenta que faz sentido priorizar a imunização dos trabalhadores — aqueles "que saem de casa e se espalham por todo o lugar e depois à noite voltam para casa, para suas famílias".


Ele argumenta que essa abordagem dará ao país a melhor chance de obter imunidade de rebanho.

Isso ocorre quando uma grande parte de uma comunidade se torna imune por meio de vacinações ou da disseminação em massa de uma doença.

Trabalhadores mais jovens são vistos como a chave para enfrentar a crise do vírus (EPA)

A Indonésia, com população de 270 milhões, tem o maior número cumulativo de casos de covid-19 no sudeste da Ásia.

Segundo dados do governo, cerca de 80% dos casos são da população trabalhadora.

Embora escolas e escritórios do governo estejam fechados há quase um ano, o governo tem resistido a colocar em prática restrições rígidas, temendo o impacto na economia do país.

Mais da metade da população trabalha no setor informal, portanto, para muitos, trabalhar em casa não é uma opção.


 

O governo argumenta que oferecerá também proteção aos idosos.

"Imunizar os membros que trabalham em uma família significa que eles não estão trazendo o vírus para dentro de casa, onde estão seus parentes mais velhos", disse Siti Nadia Tarmizi, porta-voz do Ministério da Saúde para o programa de vacinação contra covid-19.

A maioria dos idosos na Indonésia vive em lares com pessoas de outra geração, e isolá-los do resto da família costuma ser impossível.

No entanto, há um problema: não se sabe se a vacina impede a disseminação do vírus ou se ela impede apenas o desenvolvimento de sintomas graves.

"Simplesmente não temos essa informação ainda", disse o professor Robert Read, especialista que assessora os departamentos de saúde do Reino Unido sobre imunização.


A Indonésia adotou sua abordagem única em parte porque a principal vacina que está usando não foi testada em idosos.

O governo só realizou testes na faixa etária de 18 a 59 anos como parte do estudo multipaíses Sinovac.

"Cada país poderia fazer testes em uma faixa etária diferente e a Indonésia foi convidada a fazer o teste com a população trabalhadora", disse a Dra. Nadia.

A Indonésia diz que a vacina da Sinovac tem uma eficácia de 65,3%, mas descobriu-se que é 50,4% eficaz em testes clínicos no Brasil, segundo os resultados mais recentes.

Os especialistas dizem que somente quando tivermos dados completos saberemos sua real eficácia e seremos capazes de compará-la com outras vacinas.

A Indonésia vai começar a imunizar os idosos, diz o ministério, na segunda rodada, com vacinas da Pfizer-BioNTech e Oxford-AstraZeneca.

 

Com informações da BBC News

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