05 de Dezembro de 2020

Saúde

Edição: Hugo Julião
17:28
18/10/2020

Afinal, qual é a posição da OMS sobre o confinamento contra a covid-19?

"Nós, da Organização Mundial de Saúde (OMS), não defendemos o confinamento como o principal meio de controle desse vírus."

Quando o enviado especial da OMS para covid-19, o britânico David Nabarro, se expressou dessa forma em uma entrevista para a revista The Spectator, ele certamente não imaginou a tempestade que suas palavras produziriam.

"Os confinamentos têm uma consequência que não devemos nunca subestimar: eles tornam os pobres muito mais pobres", disse Nabarro.

Pouco depois, inúmeros meios de comunicação e personalidades começaram a noticiar que a OMS havia recuado em seu apoio aos confinamentos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a afirmar que a organização estava concordando com ele.

1David Nabarro é enviado especial da OMS para covid-19 (Fotos: Getty Images)

Em resposta ao comentário feito por Trump, Nabarro afirmou que o problema é usar os confinamentos como "principal meio de controle" do coronavírus.

Uma porta-voz da OMS, Margaret Ann Harris, esclareceu que essa sempre foi a posição da organização.

"O que sempre dissemos é que os confinamentos podem ajudar a ganhar algum tempo, especialmente se houver transmissão comunitária intensa", explicou Harris.

"Você pode se encontrar em uma situação em que a transmissão é intensa e, por diferentes motivos, não é possível identificar ou rastrear todos os infectados.

Neste caso, talvez seja necessário frear a propagação do vírus com o uso do confinamento."

Vários países europeus ordenaram novos confinamentos em parte de seu território

No nível individual, as medidas incluem a lavagem das mãos, o distanciamento físico, o uso de máscaras e evitar contatos próximos, aglomerações e espaços mal ventilados.

"No nível governamental, gostaríamos de ver melhores sistemas de testagem e rastreamento, que garantam que todos os casos e todos os contatos de pessoas infectadas sejam realmente identificados e que garantam que todas essas pessoas se isolem durante o tempo necessário", disse Harris.

"Se tudo isso for feito, e há muitos países que fizeram muito bem, reduz-se a transmissão e pode-se manter a sociedade funcionando."

Para a OMS, um bom sistema de teste e rastreamento é a chave para conter o vírus

Todos esses pontos também foram levantados por Nabarro durante sua entrevista.

Ele reconheceu que os confinamentos poderiam ser justificados "para ganhar tempo, reorganizar, reagrupar, redistribuir recursos e proteger os trabalhadores do setor de saúde".

"Realmente pedimos aos líderes mundiais que parem de usar confinamentos como seu principal método de controle. Desenvolvam sistemas melhores para isso. Trabalhem juntos e aprendam uns com os outros", disse ele ao The Spectator.

Para Harris, esse último ponto é o mais importante.

"Nabarro estava enfatizando que em alguns lugares os governos talvez não estejam se concentrando nas outras medidas e estejam pulando diretamente para os confinamentos e alertando que este não é o caminho", disse.

O fato de um confinamento não ter sido ordenado não significa que as coisas possam voltar ao normal

Para a porta-voz da OMS, muitas medidas e restrições devem continuar a ser implementadas mesmo após a disponibilização da vacina.

E a porta-voz ressaltou ainda que, nas atuais circunstâncias, a falta de confinamento não deve ser interpretada como uma volta à normalidade.

"Isso tem sido um erro comum. Quando o confinamento é suspenso, as pessoas agem como se tivessem saído da prisão e dissessem: 'Agora vamos nos vingar'."

Com informações da BBC News

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