No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quarta-feira, 2, o Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Por meio do Centro de Terapias Integradas Hanna Kauany Teles de Paula, a instituição oferece suporte especializado para beneficiários de até 13 anos e 11 meses, com atendimento multidisciplinar em diversas áreas da saúde, que contribuem significativamente no desenvolvimento dos pacientes.
Terapeuta ocupacional do Centro, Erika Luisa Melo chama atenção que é essencial que os pais fiquem atentos aos primeiros sinais do transtorno.
“Todo pai e mãe têm que estar atentos ao desenvolvimento do filho. Esse desenvolvimento pode apresentar, em certo momento, algumas mudanças, como parar de olhar para a pessoa, deixar de ter contato visual, não sorrir, parar de falar, andar na ponta do pé, ter seletividade com alguns alimentos, por exemplo, comia arroz, feijão e deixa de comer, não gostar mais de sentir o cheiro de frutas, de verduras, não conseguir mais lidar com certas texturas. Se houver alguma dessas mudanças, é importante procurar um especialista para avaliar a criança e iniciar o tratamento o quanto antes”, explica.
O trabalho da terapeuta ocupacional no Centro de Terapias do Ipesaúde busca desenvolver a autonomia das crianças com TEA.
“Trabalhamos as atividades de vida diária, como tirar e vestir roupa, usar o sanitário, fazer a escovação dos dentes, comer de forma organizada, brincar e guardar os brinquedos. Essas ações ajudam a criança a se tornar mais funcional e independente. Autonomia não é apenas deixar a criança fazer sozinha, mas, também, dar a ela o direito de escolher o que fazer e se organizar dentro do seu dia”, ressalta Erika Luisa.
Acompanhamento personalizado
A neuropsicopedagoga Julia Franciara, profissional do Centro de Terapias do Ipesaúde, complementa que cada criança com autismo tem o seu próprio ritmo de aprendizado e precisa de um acompanhamento personalizado.
“Como neuropsicopedagoga, meu compromisso é compreender essas particularidades e criar estratégias para o desenvolvimento de cada aprendiz. Com intervenções baseadas na ciência, podemos ajudar as crianças e os adolescentes com TEA a superar os desafios e potencializar as suas habilidades. Com esse suporte, esse caminho pode ser transformador”, enfatiza.
A importância do tratamento especializado também é destacada por familiares de crianças assistidas pelo Centro de Terapias do instituto.
Carla Ernesto, mãe do beneficiário Júlio César Ernesto, de 6 anos, descobriu o diagnóstico do filho quando o pequeno tinha 3 anos e meio.
“Descobri devido ao comportamento dele, a repetitividade, a agressividade. Resolvi procurar um profissional especializado e o acompanhamento da pediatra foi essencial. Depois de levá-lo ao neuropediatra, fechamos o diagnóstico. Mas, antes mesmo disso, eu já fazia as terapias dele”, relata.
Carla ressalta o impacto positivo das sessões oferecidas pelo Centro de Terapias do Ipesaúde na vida de seu filho.
“Para mim, tem surtido bastante efeito. Eu só tenho a dizer que a nossa psicopedagoga, Julia, desempenha o seu trabalho com excelência e meu filho tem obtido êxito e evolução. O Júlio faz sessão com psicopedagoga, terapia ocupacional e psicóloga no Ipes”, pontua.
Para Marlene da Silva, avó da pequena Julie Louise, de 5 anos, o suporte do Centro de Terapias do Ipesaúde foi determinante para o desenvolvimento da neta, diagnosticada com TEA aos 2 anos de idade.
“Antes, se ela visse uma pessoa, chorava, não conseguia estar junto com outras crianças, não conseguia ficar sentada. Agora, ela se senta, já cobre os pontinhos na escola, conhece o alfabeto todo e não chora mais quando vê as pessoas, está socializando melhor, falando palavras que não falava antes, diz o que quer assistir, o que quer ver, o que quer comer. Ela está aprendendo tudo”, celebra.
Marlene da Silva alerta que a conscientização e a aceitação do autismo pela sociedade são fundamentais para o bem-estar das crianças e suas famílias que convivem com uma pessoa com TEA.
“A criança é criança do mesmo jeito. Os pais não devem deixar de amar, nem de cuidar porque elas necessitam de cuidado como qualquer outra criança. Muitos pais não querem aceitar o diagnóstico, mas o amor é essencial para que cada dia mais a criança se socialize e tenha uma vida melhor. O direito da criança é ser feliz e ser quem ela é”, conclui.
Com informações do Ipesaúde
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