11 de Maio de 2021

Saúde

Edição: Hugo Julião
15:57
03/05/2021

Veja: brasileira relata “caos indescritível" na Índia, com cremações a céu aberto e hospitais sem oxigênio

As cenas na televisão estavam tão impressionantes que a enfermeira Márcia Alexandrina Carvalho Kumar, moradora de Lucknow, na Índia, precisou ver com os próprios olhos para acreditar.

"Passamos de carro na área do crematório e a visão é indescritível. São piras e mais piras [de corpos]. É uma coisa surreal. Se me contassem, eu não acreditaria”, descreve a brasileira, que vive há mais de 20 anos no país, novo epicentro da pandemia de Covid-19.

O aparecimento de variantes mais contagiosas no território indiano fez o número de vítimas disparar de maneira descontrolada

A enfermeira Márcia Alexandrina Carvalho Kumar é moradora de Lucknow e vive na Índia há mais de 20 anos (Foto: Arquivo pessoal):

Os governantes tentam esconder o número de pessoas cremadas. Mas como você faz para encobrir uma pira enorme que está queimando? São centenas por dia. As pessoas fazem filas com os seus mortos na rua, sentadas no chão, debaixo de um calor de 40 graus”, conta Marcia, de 52 anos.

"Os mortos não poderiam estar expostos ao calor porque estão apodrecendo. Eu não tenho nem palavras para descrever. A situação está fora de controle."

--------------------

Dia após dia novos recordes de mortes são batidos, chegando a 3.700 no último sábado (1°).

Os crematórios das grandes cidades não conseguem dar conta da alta da demanda.


A situação mais crítica encontra-se em Nova Délhi e Mumbai, onde faltam leitos, medicamentos e os cilindros de oxigênio são vendidos a preço de ouro nos hospitais.

"A pandemia é uma lente de aumento para problemas que sempre existiram aqui, só que agora, a coisa explodiu."

Márcia interrompe o depoimento para conter a emoção.

“O sistema de saúde indiano entrou em colapso total. As pessoas estão desesperadas. Quando elas conseguem oxigênio, ouvem um 'boa sorte' porque quando acabar aquele cilindro, não terá mais – e não tem mais para onde correr para conseguir.”

VEJA O RELATO DE MÁRCIA

Fonte: RFI

Compartilhe