26 de Janeiro de 2021

Tema Livre

Edição: Hugo Julião
19:39
13/01/2021

Cerca de 340 milhões de cristãos foram perseguidos no mundo em 2020

Cerca de 340 milhões de cristãos foram "fortemente perseguidos" no mundo em 2020, um fenômeno em constante crescimento e que foi agravado pela pandemia de coronavírus.

A constatação é fruto de um relatório da ONG Portas Abertas, publicado nesta quarta-feira (13) na França.

"As minorias cristãs perseguidas enfrentaram violência sem precedentes e aumento da discriminação.

Cerca de 340 milhões de cristãos – católicos, ortodoxos, protestantes, batistas, evangélicos ou pentecostais – foram "fortemente perseguidos", contra 260 milhões em 2019, denuncia a ONG.

Os registro dos ataques vão da "discreta opressão diária" à "violência mais extrema".

"Isso representa 1 cristão em cada 6 na África e 2 em cada 5 na Ásia", destaca Patrick Victor, diretor da Portas Abertas França, que garante que os números estão "abaixo da realidade".


 

As causas desta perseguição extrema ou muito forte na África Subsaariana, no Sul da Ásia e no Oriente Médio estão ligadas ao "nacionalismo religioso", particularmente na Ásia, e ao "extremismo islâmico que está se espalhando" na África.

Uma copta sudanesa assiste à missa da meia-noite de Natal na Igreja dos Mártires da capital Cartum no final de 6 de janeiro de 2021 (AP)

O número de cristãos mortos aumentou 60%, passando de 2.983 para 4.761 no ano passado. "Mais de 90% na África Subsaariana", aponta Victor.

Pelo sexto ano consecutivo, a Nigéria lidera "os países onde mais pessoas foram mortas por sua fé" (3.530 mortos), à frente da República Democrática do Congo (460) e do Paquistão (307).

Em contrapartida, a ONG observa que o número de igrejas atacadas (fechamentos, ataques, danos, incêndios) reduziu pela metade (4.488) em comparação com 2019.

A China lidera esta lista com 3.088 templos atacados (contra 5.576 em 2019), à frente da Nigéria. "Na China, assim como na Índia, a perseguição aos cristãos é sistemática e até sistêmica", diz Victor.


O número de cristãos detidos por sua fé aumentou para 4.277, contra 3.711 em 2019, com cerca de metade na Eritreia (1.030) e na China (1.010).

Mas se levados em conta todos os tipos de perseguição, a Coreia do Norte, onde "a fé em Deus é um crime contra o regime", segundo a ONG, lidera o ranking mundial, seguida pelo Afeganistão, Somália, Líbia, Paquistão e Eritreia.


"Não há motivos estritamente religiosos por trás das perseguições. Elas podem estar relacionadas ao nacionalismo religioso, como na Índia ou na Turquia, ao controle do Estado, como na China, ou ao crime organizado e cartéis de drogas como na Colômbia e México", resume a associação.

 

Com informações da AFP

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